Resumo do
texto “Educação? Educações: aprender com o índio”
Postado em
06/03/2017 por Murilo Rafael site http://portodalinguagem.com.br
Visualizado
em 06/02/2019
Obra:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. São Paulo: Brasiliense, 1995.
Texto:
Educação? Educações: aprender com o índio.
Ideia
Inicial
O
texto de Brandão nos leva a refletir sobre a pluralidade do termo “educação”, a
começar pelo título. Como a educação integra as práticas sociais de diferentes
grupos, é possível entender, assim, a sua diversidade. Educações, sim, um
conjunto de processos que constituem o nosso dia a dia. Em cada experiência
cotidiana, deparamo-nos com a educação, isto é, lidamos com o ensino e o
aprendizado.
Argumentação
Há
alguns anos, os estados americanos de Virgínia e Maryland assinaram um tratado
de paz com os Índios das Seis Nações. Em seguida, os governantes propuseram a
esses índios que mandassem alguns de seus jovens para estudar nas escolas dos
brancos. Os índios agradeceram o convite, mas o recusaram. Enviaram uma famosa
carta como resposta, da qual foram extraídos os seguintes fragmentos:
Aqueles
que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das
coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa
ideia de educação não é a mesma que a nossa.
Muitos
dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam
toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus
corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a
fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e
falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis.
Interpretação
Os fragmentos da carta
elucidam que “não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola
não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor…”. Assim,
devemos ter em vista que são diferentes os processos educacionais em virtude da
diferença entre as comunidades e do modo como funciona socialmente cada uma
delas.
A
educação pode ser uma forma “de tornar comum, como saber, como ideia, como
crença, aquilo que é comunitário…”. Por meio dela, podem-se transferir, de
geração a geração, os diversos conhecimentos que caracterizam uma sociedade, a
maneira como ela interpreta a realidade, seus códigos e símbolos culturais,
suas regras e condutas etc.
A força da
educação
Para o autor, a
força da educação estaria relacionada justamente a sua capacidade de “produção
de crenças e ideias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas
de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades”.
A sua fraqueza
Por outro lado,
possui uma fraqueza: “o educador imagina que serve ao saber e a quem ensina,
mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu professor, a fim
de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na
educação – nas suas agências, suas práticas e nas ideias que ele professa –
interesses políticos impostos sobre ela e, através de seu exercício, à
sociedade que habita”.
Conclusão
Das declarações dos
índios, temos um exemplo de que a educação, encarada geralmente como meio de
transformação social, pode também “deseducar”. A inadequação de um modelo
educacional às necessidades de determinada sociedade pode resultar no
contrário: a formação de indivíduos totalmente inúteis.
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