Para dar conta desse desafio, o componente Geografia da BNCC foi
dividido em cinco unidades temáticas comuns ao longo do Ensino
Fundamental, em uma progressão das habilidades.
Na unidade temática O sujeito e seu lugar no mundo, focalizam-se
as noções de pertencimento e identidade. No Ensino Fundamental
– Anos Iniciais, busca-se ampliar as experiências com o espaço e
o tempo vivenciadas pelas crianças em jogos e brincadeiras na
Educação Infantil, por meio do aprofundamento de seu conhecimento
sobre si mesmas e de sua comunidade, valorizando-se
os contextos mais próximos da vida cotidiana. Espera-se que as
crianças percebam e compreendam a dinâmica de suas relações
sociais e étnico-raciais, identificando-se com a sua comunidade e
respeitando os diferentes contextos socioculturais. Ao tratar do
conceito de espaço, estimula-se o desenvolvimento das relações
espaciais topológicas, projetivas e euclidianas, além do raciocínio
geográfico, importantes para o processo de alfabetização cartográfica
e a aprendizagem com as várias linguagens (formas de
representação e pensamento espacial).
Além disso, pretende-se possibilitar que os estudantes construam
sua identidade relacionando-se com o outro (sentido de alteridade);
valorizem as suas memórias e marcas do passado vivenciadas em
diferentes lugares; e, à medida que se alfabetizam, ampliem a sua
compreensão do mundo.
Em Conexões e escalas, a atenção está na articulação de diferentes
espaços e escalas de análise, possibilitando que os alunos
compreendam as relações existentes entre fatos nos níveis local
e global. Portanto, no decorrer do Ensino Fundamental, os alunos
precisam compreender as interações multiescalares existentes
entre sua vida familiar, seus grupos e espaços de convivência e
as interações espaciais mais complexas. A conexão é um princípio
da Geografia que estimula a compreensão do que ocorre entre os
componentes da sociedade e do meio físico natural. Ela também
analisa o que ocorre entre quaisquer elementos que constituem
um conjunto na superfície terrestre e que explicam um lugar na sua
totalidade. Conexões e escalas explicam os arranjos das paisagens,
a localização e a distribuição de diferentes fenômenos e objetos
técnicos, por exemplo.
Em Mundo do trabalho, abordam-se, no Ensino Fundamental – Anos
Iniciais, os processos e as técnicas construtivas e o uso de diferentes
materiais produzidos pelas sociedades em diversos tempos. São
igualmente abordadas as características das inúmeras atividades e
suas funções socioeconômicas nos setores da economia e os processos
produtivos agroindustriais, expressos em distintas cadeias
produtivas.
Por sua vez, na unidade temática Formas de representação e pensamento
espacial, além da ampliação gradativa da concepção do
que é um mapa e de outras formas de representação gráfica, são
reunidas aprendizagens que envolvem o raciocínio geográfico. Espera-se que, no decorrer do Ensino Fundamental, os alunos tenham
domínio da leitura e elaboração de mapas e gráficos, iniciando-se na alfabetização cartográfica. Fotografias, mapas, esquemas,
desenhos, imagens de satélites, audiovisuais, gráficos, entre outras
alternativas, são frequentemente utilizados no componente curricular.
Quanto mais diversificado for o trabalho com linguagens,
maior o repertório construído pelos alunos, ampliando a produção
de sentidos na leitura de mundo. Compreender as particularidades
de cada linguagem, em suas potencialidades e em suas limitações,
conduz ao reconhecimento dos produtos dessas linguagens não
como verdades, mas como possibilidades.
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, os alunos começam, por meio
do exercício da localização geográfica, a desenvolver o pensamento
espacial, que gradativamente passa a envolver outros princípios metodológicos
do raciocínio geográfico, como os de localização, extensão, correlação, diferenciação e analogia espacial. No Ensino Fundamental
– Anos Finais, espera-se que os alunos consigam ler, comparar e elaborar
diversos tipos de mapas temáticos, assim como as mais diferentes
representações utilizadas como ferramentas da análise espacial. Essa,
aliás, deve ser uma preocupação norteadora do trabalho com mapas
em Geografia. Eles devem, sempre que possível, servir de suporte para
o repertório que faz parte do raciocínio geográfico, fugindo do ensino
do mapa pelo mapa, como fim em si mesmo.
Na unidade temática Natureza, ambientes e qualidade de vida,
busca-se a unidade da geografia, articulando geografia física e
geografia humana, com destaque para a discussão dos processos
físico-naturais do planeta Terra. No Ensino Fundamental – Anos
Iniciais, destacam-se as noções relativas à percepção do meio
físico natural e de seus recursos. Com isso, os alunos podem reconhecer
de que forma as diferentes comunidades transformam a
natureza, tanto em relação às inúmeras possibilidades de uso ao
transformá-la em recursos quanto aos impactos socioambientais
delas provenientes.
Em todas essas unidades, destacam-se aspectos relacionados ao
exercício da cidadania e à aplicação de conhecimentos da Geografia
diante de situações e problemas da vida cotidiana, tais como:
estabelecer regras de convivência na escola e na comunidade; discutir
propostas de ampliação de espaços públicos; e propor ações
de intervenção na realidade, tudo visando à melhoria da coletividade
e do bem comum.
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, as crianças devem ser desafiadas
a reconhecer e comparar as realidades de diversos lugares de
vivência, assim como suas semelhanças e diferenças socioespaciais,
e a identificar a presença ou ausência de equipamentos públicos e
serviços básicos essenciais (como transporte, segurança, saúde e
educação).
Assim, com o aprendizado de Geografia, os estudantes têm a oportunidade
de trabalhar com conceitos que sustentam ideias plurais
de natureza, território e territorialidade. Dessa forma, eles podem
construir uma base de conhecimentos que incorpora os segmentos
sociais culturalmente diferenciados e também os diversos tempos
e ritmos naturais.
Essa dimensão conceitual permite que os alunos desenvolvam aproximações
e compreensões sobre os saberes científicos – a respeito
da natureza, do território e da territorialidade, por exemplo – presentes
nas situações cotidianas. Quanto mais um cidadão conhece os
elementos físico-naturais e sua apropriação e produção, mais pode
ser protagonista autônomo de melhores condições de vida. Trata-se, nessa unidade temática, de desenvolver o conceito de ambiente
na perspectiva geográfica, o que se fundamenta na transformação
da natureza pelo trabalho humano. Não se trata de transferir o
conhecimento científico para o escolar, mas, por meio dele, permitir
a compreensão dos processos naturais e da produção da natureza
na sociedade capitalista. Nesse sentido, ao compreender o contexto
da natureza vivida e apropriada pelos processos socioeconômicos
e culturais, os alunos constroem criticidade, fator fundamental de
autonomia para a vida fora da escola.
Para tanto, a abordagem dessas unidades temáticas deve ser realizada
integradamente, uma vez que a situação geográfica não é apenas um
pedaço do território, uma área contínua, mas um conjunto de relações.
Portanto, a análise de situação resulta da busca de características fundamentais
de um lugar na sua relação com outros lugares. Assim, ao
se estudarem os objetos de aprendizagem de Geografia, a ênfase do
aprendizado é na posição relativa dos objetos no espaço e no tempo, o
que exige a compreensão das características de um lugar (localização,
extensão, conectividade, entre outras), resultantes das relações com
outros lugares. Por causa disso, o entendimento da situação geográfica,
pela sua natureza, é o procedimento para o estudo dos objetos
de aprendizagem pelos alunos. Em uma mesma atividade a ser desenvolvida
pelo professor, os alunos podem mobilizar, ao mesmo tempo,
diversas habilidades de diferentes unidades temáticas.
Cumpre destacar que os critérios de organização das habilidades na
BNCC (com a explicitação dos objetos de conhecimento aos quais se
relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temáticas)
expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os
agrupamentos propostos não devem ser tomados como modelo
obrigatório para o desenho dos currículos.
Considerando esses pressupostos, e em articulação com as competências
gerais da Educação Básica e com as competências específicas da
área de Ciências Humanas, o componente curricular de Geografia
também deve garantir aos alunos o desenvolvimento de competências
específicas.
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